Plataforma BioSophia. Questões de Bioética.

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Para uma Ética da Discussão

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Referendo sobre o aborto

O homem moderno, iludido pela pretensão de um modo de ser incondicionado e absoluto, rejeitando qualquer tipo de determinações ou limites, serve-se da tecnologia, dos progressos científicos, da engenharia genética, das ciências biomédicas, para levantar continuamente problemas que requerem soluções viáveis, e onde todo o questionamento ético se debate com o domínio despótico do(s) mundo(s) dos factos (onde se inclui o homem), da vida e da morte, da fragilidade e vulnerabilidade, da dor e do sofrimento, da dignidade e liberdade, em suma, da sua finitude.

Com os grandes avanços da Medicina no século XX, a reconfiguração do(s) saber(eres) daí consequente, implica repensar as problemáticas da Identidade (centrada na ideia de corpo-próprio) e da dignidade humanas, ameaçadas pela nova “cultura” científico-tecnológica. Aqui a tarefa da filosofia deve ser a de contribuir para questionar, esclarecer, proporcionar as condições para um debate público que não se pode limitar a um quadro científico, nem a um quadro político-parlamentar.

Situado no coração da actualidade e lugar das questões médicas, culturais e éticas, o corpo tornou-se o centro no qual se focalizam as grandes problemáticas contemporâneas. No seio da sociedade ouve-se frequentemente falar do corpo apesar de se constatarem atitudes ambíguas para com ele. Adulado ou desprezado, engrandecido ou suspeitado, o corpo desperta paixões e paradoxos, mas raramente deixando alguém indiferente. Enquanto as ideologias e os dogmas dividem, a ética apresenta-se como factor de unidade, sobretudo quanto aos fundamentos de uma acção imediatamente possível, segundo uma Ética da Responsabilidade (E. Lévinas; H. Jonas). E aqui emerge a noção de consenso, tendo sempre em conta exigências de fundo: a exigência de solidariedade, o respeito do direito à vida e a dignidade de qualquer ser humano. Se, por um lado, o pluralismo das éticas nos conduz a uma reflexão quanto à legitimidade dos fundamentos dos princípios bioéticos, por seu lado a reflexão bioética, enquanto corrente filosófica, desempenha um papel social muito importante na consciência contemporânea do pluralismo, tornando-se o campo privilegiado de uma ética da discussão.

Com a ‘Plataforma BioSophia’ pretende-se que a capacidade de abertura do aluno/ leitor se revele, também, no questionamento ético e bioético sobre os efeitos da sua capacidade de agir, numa atitude de compreensão e reflexão crítica que não diz unicamente respeito aos filósofos, antropólogos, teólogos, médicos, juristas, etc., pois é pertença de cada pessoa no mais íntimo de si como apelo e (re)criação constante de sentido. É esta a natureza da preocupação ética: a de estar profundamente enraizada na consciência de busca de sentido.

Na necessidade de renovar a forma e a abordagem das questões fundamentais inspirando uma reflexão inter e transdisciplinar, tentar-se-á seguir duas vias fundamentais:

1) a de um dever de racionalidade crítica, para descrevermos os discursos e as situações prevenindo falsas evidências, erros de raciocínio, a priori impostos, etc.;

2) um dever de responsabilização dos leitores/ alunos/ actores, da comunidade escolar, do grande público….

          Stella de Azevedo

                                 2007

 

| Dinamização:

| A. Pabla Marques, S2I

| Ângela Neves, S2I

| Carla Leite, S2I

| Carla Leite, S2I

| Diogo  Monteiro, S2I

| Luís D. Correia, S2I

| M. Gorete Fernandes, S2I

| M. Natália Amaral, S2I

| Susana Pinho, S2I

 

 

| Colaboração:

| Sandra Tudella

| Stella Azevedo

| Webdesign: Ângela Neves       

| Design gráfico: Stella Azevedo

| Coordenação: Stella Azevedo

 

 

| Agradecimentos:

| A  todos aqueles que acreditam nos frutos deste Projecto.

| Ao Conselho Executivo da Escola secundária Dr. Serafim Leite

| Ao Grupo de Filosofia & Departamento de Humanidades.

 

  

 | www.esec-serafim-leite.org/moodle

 

 

 

"Agir contra o absurdo, representado pelo outro sofredor, tal é o verdadeiro sintoma de uma autonomia que tem na ética e não apenas na técnica ou na moral a sua verdadeira expressão. É que na raiz da liberdade humana está um modo singular de ser - um ser marcado pela alteridade".
Maria Luisa Portocarrero da Silva
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